ARTIGOS POLÍTICA

26/05/2010

Mato Grosso do Sul - DO SUL – Excelência

Não aconteceu só comigo; não aconteceu só com você. Todos nós que moramos neste maravilhoso estado já nos acostumamos a flagrar o equívoco imperdoável daqueles que nos confundem com Mato Grosso.
Imperdoável o equívoco! Irritante e humilhante também! Não moramos em Mato Grosso; não somos mato-grossenses; nossa capital não é Cuiabá; nossos times de futebol não são Mixto e Dom Bosco; não temos o costume de falar “eh, ah!”; não moramos na região amazônica. Enfim, nós somos Mato Grosso do Sul.
Aliás, nós somos Mato Grosso do Sul desde 1977, portanto há mais de trinta anos estamos dando a chance de as pessoas nos chamarem pelo nome correto. E a questão não é apenas o nome. Não. A questão não é apenas o acréscimo DO SUL ao Mato Grosso. Não é isso apenas. Quem nos confunde com Mato Grosso, mesmo que involuntariamente, não imagina que este erro se transforma em agressão, ofensa, humilhação, deboche. Resumindo: sentimo-nos como se tivéssemos levado um tapa na face do nosso orgulho de ser sul-mato-grossense.
Calma lá, precipitados leitores de outros estados, não nos interprete mal. Não nos sentimos agredidos e humilhados por lembrarem de Mato Grosso; mas por esquecerem de Mato Grosso do Sul. Não temos recalque ou qualquer menor sentimento com o estado vizinho de tantos encantos e belezas naturais, sem falar na sua história, cultura, tradição, folclore e culinária que formam um belo conjunto que adorna um povo alegre e hospitaleiro.
O que nos ofende; o que nos agride; o que nos humilha; o que nos causa profunda irritação é o fato de se esquecerem de que nós vivemos em um estado que não é Mato Grosso; habitamos em um território que não é de Mato Grosso; cultivamos valores, hábitos e costumes que não são mato-grossenses; fazemos parte de um povo que é diferente (nem melhor, nem pior) do povo de Mato Grosso, enfim, tudo isso por uma razão singela: não somos Mato Grosso; nós somos Mato Grosso do Sul.
Mato Grosso do Sul não é apenas um nome, Excelência. É um estado de espírito; é um gesto espontâneo; é um canto comovente. Ao nos chamar de Mato Grosso, vossa rotunda ignorância joga no limbo da indelicadeza todo o nosso esforço em construir uma identidade própria que nos faz detentores de um nome único e inesquecível.
Aqui, acolhe-se, sem distinção, os órfãos de cidade que procuram o seu abrigo para trabalharem e crescerem. Aqui, temos espaços repletos de ipês. Nosso ar tem o perfume do pequi, da guavira e da manga rosa. Temos feiras com sobá e espetinho, Excelência, com direito à dobradinha. Nossas noites são tranquilas e o nosso povo não desaprendeu a conversar olhando nos olhos de quem completa as rodas de um tereré.
Não sabe, Excelência, o que vem a ser tereré? Não sabe o que é sobá? Não sabe o que é pequi e guavira? Então, está explicado, Excelência. Vossa ignorância retrata um estado de ausência sensorial, espiritual, cognitivo e cultural que o leva a preenchê-lo com um nome que não é nosso. Por isso, chama-nos de Mato Grosso, esquecendo-se que existe um pouco mais ao sul um mundo repleto de vida, sonhos, idéias, sabores e gestos com um nome próprio: MATO GROSSO DO SUL!
Porém, sublimando o vosso erro, despertemos a vossa memória para dois aspectos fundamentais da obra que todos os dias nos faz construir o nome de Mato Grosso do Sul (a terra e o homem): A terra: diria somente Pantanal, o maior santuário ecológico do planeta, se Mato Grosso não o abrigasse, mas evoco Bonito, na Serra da Bodoquena, eleito o melhor destino para o ecoturismo por oito vezes e, seguramente, um dos mais belos lugares do mundo. Isto é Mato Grosso do Sul. O homem: Manoel de Barros, o maior poeta vivo do mundo. Basta! Isto é Mato Grosso do Sul.
Por isso, Excelência, a partir de agora, todas as vezes que o erro for cometido perante um sul-mato-grossense, não se aborreça com o constrangimento de ser corrigido, porque errar o nome do nosso estado será causa para apupos ou cortante repreensão verbal que jamais será apagada de vossa memória. Isto já está acontecendo e a tendência é que esta reação ganhe foros institucionais, transformando-se em costume sul-mato-grossense.
A proposta, portanto, é esta: nos congressos, nas conferências, nos shows, nas reuniões políticas, nas competições esportivas, nos ambientes públicos ou privados, nas Igrejas, nos Sindicatos, nas Associações Comunitárias, nos hotéis, nos motéis, nas ruas, nas lojas, no centro, na periferia, no Brasil, na Argentina, na Terra, em Marte, na terra, no mar, no chão, no céu, na imprensa escrita e falada, no twitter, nos sites, nos blogs, enfim, em qualquer lugar, aquele que se referir ao nosso estado com o nome de Mato Grosso deverá ser imediatamente corrigido, sem receio de constrangimento, se possível, apupado respeitosamente com inspiração cívica, para, ao final, todos, de forma uníssona, elevarmos a voz firme e cheia de orgulho, proclamando: MATO GROSSO DO SUL!
Com absoluta certeza, a primeira grande reação será notícia nacional e o efeito pedagógico do exemplo servirá, pelo menos, para que o visitante, sempre bem recebido por nós, saiba que vivemos em um estado com uma história, uma identidade, uma cultura e um nome próprio: MATO GROSSO DO SUL!

 
 
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