ARTIGOS FILOSOFIA

20/05/2011

Um breve diálogo

A rotina é o mais perigoso entorpecente da inteligência humana. Sua preguiçosa uniformidade enferruja mentes e amesquinha vidas. Robótica por essência, a rotina é uma espécie de auto-engano ditada por nosso medo de ousar. Agarrados a ela, o tempo passa, escorrendo pelos dedos, até o instante em que, diante da morte, contemplamos no retrovisor da nossa vida um imenso deserto de existência.

As disposições atávicas que nos prendem ao medo e à preguiça não podem ser destruídas de um só golpe, mas todos os dias e com redobrada vigília. Lutero dizia que não temos como evitar que um passarinho pouse sobre nossas cabeças, mas podemos nos defender deles para que não criem ninhos sobre nós.

É natural que diante do imponderável, a morte por exemplo, transformemos a nossa mente em um apavorante tribunal inquisitório:

Por que nascemos?
De onde somos?
Para onde vamos?
O que é a vida?
O que é a morte?
Existe vida antes da vida?
Existe morte depois da morte?
Existe morte antes da vida?
Existe vida após a morte?

Os dias passam e caminhamos para a morte. A reflexão sobre o inevitável desfecho da vida é adiada instintivamente pela sensação de impotência, mas nada justifica a cegueira voluntária diante do desconhecido.

É preciso questionar a própria RAZÃO enquanto instrumento de captação da realidade. Diante das forças ainda insondáveis do Universo, a razão é proporcional à realidade vital das formigas e das abelhas para o Homem. Ora, se não somos capazes de equacionar problemas que afligem a comunidade humana, evidentemente que estamos longe demais para racionalizar as respostas dos grandes mistérios.

Há, porém, uma centelha de certeza da afirmação da natureza humana como expressão imanente direta do Grande Arquiteto do Universo. Seu nome é FÉ.

O anseio pela vida eterna é uma força inconsciente que está em todas as nossas células. Repudiamos a morte não porque a tememos ou porque desconhecemos a realidade posterior à vida. Somos inimigos daquilo que supomos ser a morte, porque somos parte indissolúvel de uma força inteligente e eterna.

Inteligente, mas absolutamente inalcançável pela razão e infinitamente superior aos limites da nossa estrutura orgânica de pensamento racional. Eterna, porque se a modestíssima razão humana já demonstrou cientificamente que tempo e espaço são relativos, é claro que se trata de força que transcende o tempo, pois está acima das escalas de início, meio e fim quantificadas pela nossa conveniência existencial.
A fé não é apenas uma crença. É um elemento orgânico, material, biológico e ao mesmo tempo uma Força que não nos permite separar de nossa própria essência e natureza, recordando-nos todos os dias que a razão, só ela, é incapaz de perceber os fenômenos. Sim, a fé integra o nosso patrimônio cognitivo, por isso ela e a razão não podem se confrontar.

Todos temos A fé, mas nem todos a descobriram, por isso muitos não a experimentaram como Força material e transcendente. Claro, fomos treinados pela cultura (que tem apenas cinco mil anos, portanto um bebê perto da idade do Universo) a crer apenas naquilo que os nossos cinco limitados sentidos percebem, de modo que percepções extra-sensoriais são vistas com desdém pelos “doutos”.

Ciência e Fé não se contradizem e devem caminhar juntas, irmanadas, para a construção do caminho que levará a humanidade a dialogar com Deus, participando direta e conscientemente dos projetos ainda insondáveis de sua infinita criação.

Ainda que atolados no imenso pântano cultural que nos empurra para a arrogante ignorância da cultura limitada dos sentidos, é possível encontrar respostas às grandes perguntas. Basta dialogar com a Fé.

O despertar não tarda.


 
 
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