ARTIGOS FILOSOFIA

17/07/2008

Direitos Humanos – Realidade e Utopia

No dia da celebração do compromisso do Homem em favor do Homem, urge, em meio a festa, uma pausa para a reflexão.

Em tempos de relativismo das idéias, o reducionismo não convém. De fato, simplificar as coisas é a maneira mais eficaz de superficializar uma análise.
Entretanto, por mais que procuremos resistir à tentação dos maniqueísmos, não há como deixar de entrever que a raça humana ainda não se humanizou.

Quando José Saramago afirmou que “os instintos servem mais aos animais que a razão aos homens”, as pessoas, entre perplexas e envergonhadas, se deram conta de que o Ser Humano precisa se justificar perante o Universo.

De todos os seres vivos, milhões em bilhões de anos, o único dotado de RAZÃO INTELIGENTE é o Homem. Não importa aqui o debate entre o criacionismo e o evolucionismo, pois o que se constata é que, sendo ou não o princípio de todos os princípios a energia de uma força inteligente que consagrou a vida, o fato é que nenhuma outra espécie reúne tantos fatores positivos para a sobrevivência que a espécie humana.

Mas, de novo, José Saramago nos interroga: Será que a humanidade faz jus à vida? Será que o Ser humano merece viver, se ele despreza o potencial de sua razão para transformar a sua inteligência em uma máquina de destruição?

Quantos homens, ao longo de toda a história, foram mortos pelos próprios homens?

Por que a razão que nos singulariza perante as espécies não se potencializa em vida abundante para todos?

Diante do Grande Livro do Universo, escrito durante bilhões de anos de vida, a história do homem aparece apenas nas duas ou três linhas finais da última página. Este sentimento de eternidade que nos é imanente projeta apenas a nossa fraqueza em não querer admitir que, se o homem continuar sendo o principal inimigo de si próprio, em pouco tempo, a aventura humana neste microscópico planeta será apenas um cisco de lembrança na infinita memória do universo.

Não temos saída: na perspectiva do criacionismo, ou nos libertamos do ódio e aprendemos a amar incondicionalmente, ou seremos um erro de criação; na perspectiva do evolucionismo, ou nos alforriamos dos instintos tanatológicos da guerra, militando a política da VIDA e da PAZ, ou sucumbiremos como a raça bípede que se regalava com a sua própria destruição.

Se o que falta é ser mais humano, é porque a razão que nos condiciona uma existência consciente ainda não se entorpeceu. Está viva e pulsante e teima em falar.

Ela, a razão, fala que ainda existe uma pequena esperança. Ela está sonolenta, é verdade, mas viva. Uma esperança que faz da Razão uma lembrança de Deus. Ela não está escondida, mas quase ninguém a percebe porque a fumaça das guerras e as poças de sangue das mortes ofuscam a visão daqueles que procuram ver com os olhos.

Relembrando Vieira, os olhos não são feitos para ver, mas para chorar, porque os cegos não vêem, mas choram.

Os que enxergam a vida com o coração conseguem ver o filete de luz que escapa pelas frestas de tantas portas trancadas entre os homens:

-São os seres que se fazem, pensando em fazer ao outro;

-São os seres que quando ofendidos, ficam em silêncio e desabafam apenas com poesias no silêncio de seus sonos;

-São os seres que sofrem sorrindo o peso da angústia da vida, mas que, mesmo não crendo nas reticências, negam-se a dar um ponto final nas relações com o próximo;

-São os seres que se emocionam com as cores da vida, que ainda conseguem chorar com o encanto das flores, que têm a sensibilidade de se comover com o sorriso da criança, com o abraço do idoso, com o colo da mãe;

-São os seres incapazes de ter ódio, por isso são livres; os seres incompetentes para invejar, por isso são livres; seres ineptos e fracos para destruir por isso são livres; seres ingênuos, por isso são livres;

-São os seres que amam os idosos, os doentes, os pobres, os presos, os índios, os negros, os que sofrem, os que não são, os que não têm...

-São os seres de luz que são reconhecidos pelos seus passos porque deixam um rastro luminoso por onde andam perfumando o ambiente com a essência do AMOR.

A ESTES E POR ESTES, TOMEI FÔLEGO PARA FALAR E, PEDIR LICENÇA, PARA CONFESSAR DO FUNDO DA MINHA ALMA, SEM PRESSA, DEVAGAR, QUE ENQUANTO O HOMEM NÃO APRENDER A AMAR COMO SE ESPERA DE ALGUÉM QUE RECEBE O MILAGRE DA VIDA INTELIGENTE, NÃO HAVEREMOS DE SER O QUE DEVERÍAMOS: SIMPLESMENTE, UM SER HUMANO.

 
 
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