ARTIGOS FILOSOFIA

21/05/2011

COM A PALAVRA, A TRISTEZA!

A tristeza é uma necessidade da alma. Não a enfraquece; antes a coloca em sintonia com algumas realidades que a nossa consciência não consegue, em regra, suportar. Mas ela é fundamental para nos situar no universo do qual pensamos, erradamente, ser o centro. De que adianta ver a verdade? Tudo e nada. Ao perceber que a mente é uma fagulha que nos faz crer estrelas, podemos iluminar um cantinho dos infinitos aposentos do grande mistério. E de que adianta isso? Nada, é verdade, nada de útil, pois não compra, não vende; mas pelo menos faz acontecer, o que já é alguma coisa.
A tristeza não nega a felicidade, antes a humaniza, transformando-a em uma emoção diferente e que ainda não tem nome porque tão pouca gente a sentiu tão pouco que ninguém dela se percebeu ... assim como a estranha saudade de alguém que não existiu em nossas vidas!
A tristeza não é ré da condição humana. Sua bondade está na força que nos leva a enfrentar os limites do que somos e, de certa forma, do que não somos também. A tristeza é o gigante de cabeça baixa que se recusa a sonhar horizontes, porque ama a vigília de tudo aquilo que está abaixo de ti e que interessa ao mundo real.
Seja triste amigo! Só a tristeza te libertará dos vícios químicos da razão. Mas não se esqueça: o homem verdadeiramente triste é forte e por isso deve ser fiel à alegria dos outros!
E no dia que sentir a ponta amarga do tédio que a ausência da felicidade causa em seu coração, lembre-se que a tristeza não é inimiga do homem, mas a sua grande e fiel companheira, por isso mesmo sem ser feliz, você jamais estará sozinho : uma lágrima não vertida sempre estará contigo.
Vá lá: ser triste tem o seu charme também. Os olhos dos tristes veem a alma das coisas e conversam com as silhuetas dos fantasmas; sedutora, a tristeza ama também, mas se esconde de todos os amores que dizem – os alegres e felizes – existirem, porque o amor da tristeza é um só e o seu nome está no mistério que não sabemos nem sequer se um dia desvendaremos. Por isso, o triste é tão despretensioso. Ele sabe que é tudo e nada ao mesmo tempo, mais tudo quando pensa que é nada; mais nada, quando sente a certeza de que é nada mesmo. O triste é bom, ok! Não o humilhe, porque você não sofrerá o remorso da agressão sem propósito: ele não permitirá que você se acanhe diante da suprema humilhação de vê-lo frente a frente com a verdadeira tristeza.
Agora, vem comigo! Dê-me a mão, segure firme, e, sem medo de ser triste, assuma a sua condição humana e deixe de lado a falsa poesia dos sorrisos fáceis: antes a verdade que nos fortalece aos sombrios movimentos das ilusões dogmáticas. Em frente, amigo, enfrente a sua própria mentira e seja fiel a sua essência. Não se entristeça com a tristeza; antes, orgulhe-se de não ser um bobo alegre que escarnece da virtude do sorriso, reduzindo-o a um simples repuxar dos lábios; golpe muscular de uma hipocrisia ressentida com a sua falta de coragem e escassez de humanidade.
Não se deixe tiranizar pela vontade de ser tirano, porque o escravo de qualquer coisa é a própria liberdade desregrada, unção dos enfermos de vida, por isso cante a verdade de sua tristeza com a certeza de quem não se deixa aprisionar pelos sentidos fáceis que nos algemaram a razão. Proclame, pois, sem medo e livre: sou triste e por isso sou feliz, afinal minha tristeza não me faz sofrer a falta da felicidade!

 
 
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