ARTIGOS FILOSOFIA

22/05/2011

MORTE: A CERTEZA DA VIDA!

Um dia, claro, ou não, no escuro, é verdade, vamos esquecer que sonhamos, e, nunca mais acordaremos o amanhã...

E neste dia, as batatas serão cortadas da mesma maneira pela anônima cozinheira de uma casa que fica próxima àquela rua que um dia passamos e ninguém percebeu. E todas as nossas inspirações, desde as músicas que nos levaram ao ridículo estrelato de um show imaginário até os beijos de cinema que nos furtaram com a buzina do carro de trás, quando a música ainda estava tocando, todas elas, das prosaicas às apocalípticas, não serão vistas pelo mais potente microscópio, amigo das dimensões insignificantes. E você se foi. Eu também; nós todos. Será assim: sem rastro; sem passo; sem palmo; sozinhos; encalacrados, engavetados, empastelados, de terno, no silêncio do sepulcro sem fim... Não, não pode ser. Pode sim, amigo! Pode sim! Sejamos fortes e admitamos que o nada pode ser o nosso destino e o nosso destino é tudo o que temos para dizer ao nada que se ele nos afogar com o esquecimento, nem mesmo um lamento ou um murmúrio de mágoa poderemos deixar como ponto de exclamação. Temos, porém, a morte como nossa. Minha e sua. Cada um tem o seu monopólio. Posse irrecusável. E o que dela pode ser feito, senão a proclamação de que, tendo a certeza do nosso infalível destino, ela tanto nos engolfa como nos liberta, porque não morreremos jamais enquanto a morte existir para testemunhar que um dia também existimos e dela fizemos parte como a mais bela e sublime cena de amor único da EXISTÊNCIA!

 
 
Senhor Fabio Trad, Sou morador da rua Natalie Wood no Bairro Campo Nobre e ao...
Alan Nantes