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Artigo: Por um desenvolvimento realmente sustentável

26 fev 2013 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

É hora de superarmos esta dicotomia simplificadora entre o ambientalismo radical e o desenvolvimentismo brasileiro. É lamentável que a discussão sobre as muitas e urgentes questões ambientais no Brasil desague quase sempre da simplificação dicotômica que contrapõe ambientalistas e desenvolvimentistas, como se este confronto desse conta de toda a problemática que envolve nosso patrimônio natural.

Este reducionismo na academia, nas instâncias politicas e entre outros atores decisivos, como empresários e ambientalistas, confina os aspectos mais amplos e urgentes em benefício de uma agenda secundária. Os muitos incidentes envolvendo agressões a pessoas, danos a patrimônios financeiros e acervos científicos, praticados em nome de um preservacionismo radical, assim como os crimes contra a vida de lideranças de comunidades extrativistas, perpetrados pelo barbarismo predatório, comprometem a agenda ambiental brasileira. 

O parlamento não pode seguir como caixa de ressonância de dicotomias desgastantes e inócuas, como o embate entre o ambientalismo ideológico e o desenvolvimentismo a qualquer preço, ou melhor, ao preço da degradação ambiental. Se estas duas posições se anulam em antagonismo radical, a elas se sobrepõe a generosa vertente do desenvolvimento sustentável que, assentado em paradigmas éticos e em suportes científicos, dá respostas crescentemente compensadoras, seja em termos de retorno financeiro, seja sob a forma especialíssima de compensação moral, transcendente até, quando o homem se põe como que um coadjuvante da criação pelo simples fato de não impedir que a natureza siga seus ciclos. 

Expresso reverente orgulho ao assinalar que o Pantanal, um dos mais ricos e delicados biomas do planeta, e que o meu Mato Grosso do Sul divide com Mato Grosso, constitui evidencia ímpar no mundo de desenvolvimento sustentável. Ocupada pela pecuária extensiva, implantada por descendentes de bandeirantes retornados com o fim do ciclo do ouro em Cuiabá, a vasta planície pantaneira respondeu secularmente com prodigiosa abundancia a esta atividade que atendeu a sua vocação natural. 

Certamente, o Brasil tem muito a aprender sobre desenvolvimento sustentável com a gente pantaneira, expressão que tomo por empréstimo ao mais brilhante cronista da ocupação do pantanal, o querido professor Abílio Leite de Barros, que acunhou como título de seu livro definitivo sobre esta saga extraordinária. 

Um enorme passivo ambiental, acumulado ao longo de séculos de atividades predatórias e agravado nas últimas décadas pela expansão desenfreada da economia, resulta em grande parte do déficit político e ético que estimula a exploração predatória a bordo de um individualismo obsceno. Portanto, se os predadores ambientais de hoje merecem punição rigorosa, o passivo ambiental do futuro só será evitado se pago agora, por antecipação, com investimentos maciços em educação e em políticas ambientais permanentes.