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Caso do ciclista que teve o braço arrancado põe em xeque nossa humanidade

13 mar 2013 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

O caso do ciclista David Santos Souza, que foi atropelado e deve um braço arrancado na última segunda-feira, em São Paulo, chocou o deputado federal Fabio Trad (PMDB-MS). As caraterísticas do “acidente”, macabras, levaram o deputado a se manifestar diante da insensibilidade do atropelador – o universitário Alex Siwek, 22 – em cujo carro o braço de Souza ficou preso. Siwek, bêbado, não prestou socorro e jogou o braço da vítima em um rio.

“Um fato pavoroso que expõe a fratura de um sistema social que se alimenta de um individualismo selvagem em meio a uma competição desregrada, impotente como força de coesão solidária. As circunstancias macabras do fato indicam a cegueira insensível da condição humana desfocada dos valores vitais que dão sentido a uma sociedade. A dissipação dos laços de solidariedade, a fragmentação de concepções altruístas, a animalização instintiva da barbárie. O caos da vivência sem sentido nos faz temer o futuro que nos aguarda”, afirmou o deputado sul-mato-grossense.

A polícia confirmou que Siwek havia ingerido três vodcas e um energético em um bar no Itaim Bibi (zona oeste de SP), antes do atropelamento. PMs que foram procurados por Siwek após o crime relataram que ele estava "transtornado e aparentava sinais claros de embriaguez". O motorista se recusou a soprar o bafômetro ou colher amostras de sangue. Segundo a polícia, ele foi submetido a um exame clínico.

De acordo com Pablo Naves Testoni, um dos advogados de Siwek, seu cliente não prestou socorro porque ficou com medo de ser agredido. Afirmou também que o motorista só viu o braço quando chegou em casa. Ficou atordoado, então, decidiu jogá-lo no rio.

“Bêbado, ziguezagueando na rua, omitiu socorro e jogou o braço da vítima no rio. Nem o mais criativo diretor de filme de terror conseguiria ser mais tétrico. Enquanto estivermos preocupados com nossas corporações particulares, no mundo mesquinho de nossos imediatos interesses, ocupados com as insignificâncias de nossas conveniências, a força do mundo real evapora o sentido da convivência humana, reduzindo-nos a ridícula condição de selvagens tecnológicos. Perdemos  a causa de nossa humanidade? Jogado ao rio com o braço da vítima foi a civilização humana”, concluiu Fabio Trad.