Voltar para notícias

Em contundente discurso na Câmara, Fábio Trad defende Reforma Política para valer

04 mar 2011 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

Veja o vídeo!

 

Não podemos e não devemos fazer a Reforma Política pensando nas próximas eleições, mas sim nas próximas gerações.” 

O deputado federal Fábio Trad fez na manhã desta sexta-feira (4) um contundente discurso na Câmara Federal. O tema, a Reforma Política, tem dividido opiniões entre toda a classe política, mas ainda não chegou à sociedade com a força que a importância do tema requer. Fábio abordou a necessidade de levar o tema para a população, de modo a envolver todos os setores sociais em seu debate: “Uma advertência é necessária. Quando o povo não se empolga por um tema legislativo, dificilmente se verificam as condições políticas necessárias para sua efetiva aprovação em lei. E é certo que o povo brasileiro ainda não se entusiasmou com a Reforma Política”, disse o deputado. 

Segundo Fábio, o parlamento deve procurar sensibilizar a população para a importância do tema, mostrando que muitas das distorções do sistema político eleitoral que provocam o distanciamento cada vez maior entre eleitor e eleito, corroendo a credibilidade da própria atividade política, podem ser enfrentadas agora e eventualmente corrigidas. 

Sobre a efetivação da Reforma Política, Fábio Trad afirmou que esta deve partir de pontos sobres os quais se podem com mais facilidade se chegar a consensos, mas não deve receio de colocar o dedo na ferida e apontar os atuais erros do sistema político que devem ser alvo de reformulações diante da Reforma. “É fato que o sistema político eleitoral está degradado e visceralmente comprometido por vícios estruturais. Os partidos não respondem por seus programas, os eleitores escarnecem dos políticos e o mais grave: os eleitores estão desconfiando até da política. Os eleitos regra geral se elegem com propostas que no decorrer do mandato dificilmente se concretizam, e de forma impune porque não há fiscalização do seu mandato por quem os elegeu”, assinalou. 

Fábio Trad apontou, ainda, as distorções do papel dos parlamentares, diante dos desvios da política: “No parlamento federal, fruto das distorções do sistema, é cada vez mais freqüente a figura esdrúxula do deputado-vereador, mais preocupado com emendas ao orçamento e espaços nos ministérios, com cargos, nomeações e outras sinecuras. Na mesma medida que o deputado-vereador cresce em número, perde espaço neste parlamento o deputado nacional, preocupado com o País, forte no domínio de teses e programa ideológico”. 

Outra questão aborda por Fábio em seu discurso foi a influência nefasta do poder econômico no processo eleitoral. “O poder econômico nas eleições é determinante. São raros, raríssimos os deputados eleitos pode voto de conceito. A grande maioria, infelizmente, submete-se a lógica perversa do sistema, gerando injustiças gritantes. Cidadãos bons, de princípios, preparados e vocacionados para a atividade política não conseguem se eleger porque desprovidos de recursos. Por outro lado, candidatos de caráter duvidoso e reputação manchada, se elegem porque detentores de contas bancárias fornidas”. 

Solução na Reforça Política 

O deputado pediu que os parlamentares se unam diante de objetivos factíveis para a Reforma Política: maior identidade entre a sociedade e a classe política; fortalecimento dos partidos e redução da influencia do poder econômico nos pleitos. 

Finalmente, Fábio Trad apontou três linhas de ação em torno das quais os parlamentares devem fazer coro com fins de aprovar uma reforma que sirva ao País e não a interesses particulares ou de grupos políticos. “Precisamos elevar a política dando-lhe um caráter de nobreza que sua essência conceitual traduz. É preciso, portanto, que esta casa seja movida por três imperativos de consciência. Primeiro: não podemos e não devemos fazer a reforma pensando nas próximas eleições, mas sim nas próximas gerações. Segundo: não podemos e não devemos fazer a reforma pensando em nossos mandatos, mas no futuro da democracia. Terceiro, não podemos e não devemos fazer a reforma pensando em nossos partidos, mas na legitimidade do sistema representativo. Se com seguirmos superar estes desafios e vencermos o casuísmo e o imediatismo, nós não daremos apenas uma lei nova ao País. Nós daremos ao Pais a oportunidade de viver uma nova cultura política e isso não é pouco”.