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Fabio Trad alerta para armadilhas da “espetacularização” da política

06 fev 2012 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

O deputado federal Fabio Trad (PMDB – MS) destacou hoje o artigo do escritor e doutor em Ciência Política português João Pereira Coutinho, publicado no jornal Folha de São Paulo no qual o autor expõe com clareza as encruzilhadas da democracia representativa e sua relação com a mídia.

Preocupado com a boa política e com o exercício das funções inerentes a um cargo parlamentar, Fabio Trad tem cobrado em Brasília – e dado exemplo disso com sua postura – uma ação menos “espetacularizada” e mais cidadã do papel do legislativo. Da mesma forma, João Pereira Coutinho traça um paralelo entre as figuras públicas que se tornam celebridades políticas da noite para o dia e o resultado direto desta prática: a ameaça de falência do sistema democrático.

Para Coutinho, exemplos desta política de ribalta pululam Brasil afora. Políticos que se transformam em produtos de fácil exportação porque produtos da televisão. “Uma virtude? Longe disso. E os lusitanos deveriam saber, até por experiência própria, que a crise de Portugal também se explica por esse padrão: durante anos, os portugueses não votaram necessariamente nos melhores candidatos. Apenas nos candidatos que tinham maior sucesso midiático. Deu no que deu”, opina.

Coutinho cita Alexis de Tocqueville (1805-1859) e seu alerta contra as "tiranias da maioria" – combatidas com a descentralização política, liberdade de imprensa, reforço do associativismo e separação de poderes – e diz que o pensador francês não contava com a emergência de um novo tipo de regime democrático no século 21: a democracia midiática, “esse sistema que premia os talentos superficiais de um indivíduo (imagem de plástico, discurso populista, sentimentalismo postiço) e ignora as qualidades fundamentais de um líder (coragem, experiência, competência, temperança)”.

Por fim, Coutinho faz um alerta sobre o papel da mídia neste processo, mostrando que ela, se não conduzida com esmero, pode ser um fator decisivo no aprofundamento desta desconstrução do papel da democracia.

“Eis a suprema ironia: a mídia assume-se como o quarto poder, destinado a vigiar e a denunciar os abusos de todos os outros. Mas a própria mídia serve de instrumento, voluntário ou involuntário, para dar luz e palco a personagens que jamais seriam eleitas por suas exclusivas habilitações. O resultado dessa perversidade é que cresce cada vez mais o abismo entre políticos que merecem ganhar eleições (independentemente da imagem) e políticos que podem ganhar eleições (independentemente da competência). A democracia midiática premia os segundos e ignora os primeiros”