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Fabio Trad defende debate propositivo ao invés de ataques inconsequentes

15 ago 2012 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

O deputado federal Fabio Trad (PMDB-MS) fez hoje reflexões sobre o processo eleitoral em Campo Grande (MS), alertando para os excessos da oposição casuística e para a necessidade de um debate de ideias e de projetos no lugar da simples metralhadora giratória que, longe de contribuir para a construção de uma práxis política propositiva, apenas apequena a política partidária aos olhos da população. Confira na entrevista abaixo.

A política partidária é, em certos aspectos, uma seara ingrata. Partidos que integram uma administração enquanto aliados podem, ao se desvincularem, se transformar em críticos ferrenhos. Há uma certa dose de incoerência nesta dinâmica?
Uma das maiores virtudes da democracia e a submissão dos agentes políticos a constante avaliação do povo. O dialogo entre povo e classe politica e a grande marca da democracia. Em uma disputa eleitoral, quando a mensagem que o partido transmite a população se revela contraditória, o dialogo passa a ser fonte de incomodo porque incompreensível: como pode um partido integrar e defender por dezesseis anos um modelo de administração e, sem qualquer ruptura, de um dia para o outro, passa a critica-la como se jamais tivesse participado dela? E incompreensível e despropositado. 

O bem comum deve – ou deveria – ser a tônica da política. No entanto, o jogo político acaba fazendo com que interesses de grupos se sobreponham a ele. É o caso de ações de governo nitidamente benéficas à população que se transformam em alvos de ataques da oposição pelo simples fato de serem ações engendradas “pelo outro lado”. Falta compromisso com o povo?
Oposição não se resume a fazer discursos raivosos. Acho ate legitimo que um partido busque um caminho próprio para crescer e se consolidar, mas esta escolha deve ser feita com uma certa coerência e escrúpulo: como pode um partido fazer parte por 16 anos de uma administração e, de repente, assim, da noite pro dia, sem nenhuma ruptura politica na relação, passar a investir contra a própria administração que fez parte? O povo não entende isso, pois, de fato, e incompreensível mesmo. 

Nas eleições o debate pode facilmente escorrer para o ralo das críticas vazias, quando o que a população anseia é o debate de ideias e propostas. Como o senhor analisa esta situação em Campo Grande? 
Fazer oposição com ritualística marqueteira e a coisa mais fácil e ao mesmo tempo mais oportunista que se vê em uma campanha politica. Basta filmar uma casca de banana na rua e, com um apropriado fundo musical e entrevista combinada, para transmitir a ideia de que a cidade inteira e um chiqueiro por causa do prefeito. Assim também com saúde, educação, esporte, enfim, basta um pouco de criatividade e algum maquiavelismo para editar a realidade, colocando lentes pessimistas nos olhos dos incautos para fazer do bom, o ruim; do belo, feio e da verdade, uma mentira.

É durante as eleições que a população pode separar o joio do trigo quanto o assunto é coerência política. O senhor acha que o eleitor está mais atento a esta questão?
Eu acho que o eleitor está mais maduro. Minha impressão e de que ele já consegue avaliar o contexto e a conjuntura, sem perder-se em fato isolado. Esta visão mais contextualizada e fundamental para avaliar racionalmente se uma gestão foi ou não exitosa. Perder-se em discussões sobre recortes fáticos descontextualizados e o mesmo que avaliar o desempenho de um time de futebol da perspectiva da chuteira de um jogador. Não tem sentido. Meu otimismo se sustenta neste amadurecimento do eleitor.