Voltar para notícias

Fábio Trad integra nova corrente peemedebista em busca da ética

09 fev 2011 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

Integrante da corrente, o deputado federal Fábio Trad garantiu que a idéia 
não é de dissidência, mas de busca por uma postura diferente por parte do 
partido, uma postura que troque “a disputa menor de posições dentro do 
governo pelo levantamento de bandeiras necessárias aos avanços sociais”. 

Segundo Fábio Trad, a nova corrente peemedebista quer servir como um 
contraponto à imagem de fisiologismo que tem sido atribuída ao PMDB: “Temos 
que fortalecer a imagem ética do partido”, afirmou o deputado 
sul-mato-grossense. 

“É necessária uma mudança de postura, trocando a disputa menor de posições 
dentro do governo pelo levantamento de bandeiras necessárias aos avanços 
sociais”, diz a mensagem dos peemedebistas, para quem a atividade política 
deve ser tratada “como instrumento para promover transformações sociais, não 
como ferramenta para alcançar objetivos pessoais, estranhos ao interesse 
público”. 

A corrente defende como prioridade a discussão sobre a reforma política. A 
lista de proposições também inclui a regulamentação da Emenda Constitucional 
29, para resolver a crise de financiamento da saúde, qualificação da 
educação, reformas tributária, trabalhista e previdenciária, além da mudança 
na política cambial e do combate à corrupção. 

Entre os integrantes da Afirmação Democrática estão os deputados Osmar Terra 
(RS), Darcízio Perondi (RS), Osmar Serraglio (PR), Edinho Bez (SC), Reinhold 
Stephanes (PR), Gastão Vieira (MA), Alceu Moreira (RS), Geraldo Rezende 
(MS), Raul Hemy, Ronaldo Benedet (SC) e Mauro Mariani (SC), além do 
ex-deputado Ibsen Pinheiro, atual presidente do PMDB do Rio Grande do Sul. 

Confira a seguir a íntegra do manifesto da Afirmação Democrática 

O PMDB cumpriu um papel exponencial na política brasileira, lutando pelas 
Diretas Já, conduzindo o país para a redemocratização e garantindo a 
Constituição Cidadã. Também foi partícipe da estabilidade econômica e de uma 
exitosa estratégia fiscal por meio do Plano Real e da Lei de 
Responsabilidade Fiscal. Portanto, a história do PMDB se confunde com a 
história do Brasil contemporâneo. Baseado na temperança, na cultura da 
paciência, respeito às divergências e senso prático, o PMDB ajudou a 
construir o Brasil de hoje. 

Esse mesmo PMDB que cresceu e se transformou no maior partido do país, vive 
um momento crítico. A sua influência está se reduzindo e a representação 
parlamentar diminuindo a cada eleição. Nos últimos anos vem recebendo 
críticas e tratamento de um partido preocupado só com cargos, e alguns de 
seus componentes colocados sob suspeição. 

Embora tenham acontecido avanços, como a eleição do Vice-Presidente da 
República, a legenda enfraqueceu. A razão disso é o desgaste da imagem, a 
falta de um posicionamento claro sobre os grandes temas brasileiros, além da 
aceitação do papel de partido acessório nos grandes pleitos nacionais. 

O PMDB tem como sua essência a defesa da democracia e da justiça social. 
Dentro de seus quadros há uma imensa maioria de lideranças autênticas e 
éticas, que têm como parâmetro tais princípios. A afirmação e o 
aperfeiçoamento da democracia brasileira, o desenvolvimento sustentável – 
que equilibra o econômico, o social e o ambiental, a descentralização do 
poder, o reforço do municipalismo e a participação popular, são elementos 
que compõem nossas diretrizes de homens públicos. 

A efetivação dessas políticas só será viável se executada por quem as 
colocou na Constituição e tem a maior base municipalista do país. O PMDB é 
de todos, o partido mais credenciado e livre, para propor um novo pacto 
federativo para o Brasil. 

Da mesma forma, só poderá viabilizar um Estado eficiente, do tamanho 
adequado às necessidades da população brasileira, quem não está atrelado a 
ideologias estatizantes, que incham e tornam pesada a máquina pública, e, 
por outro lado, não propõe o mercado como regulador de toda economia e 
relações sociais. 

O PMDB como o grande partido de centro-esquerda, que preserva o diálogo com 
todas as correntes partidárias, deve ser o principal condutor das mudanças 
nessa direção. Para que isso aconteça, no entanto, devemos ajudar a resgatar 
a imagem do partido. Devemos construir uma agenda para o país, abrir uma 
ampla discussão com a população, e, trabalhar para ter uma candidatura 
própria à presidência da República nas próximas eleições. 

A Corrente Afirmação Democrática do PMDB não é uma dissidência. Isso deve 
ser enfatizado! Atualmente, temos o vice-presidente da República, Michel 
Temer que tem o nosso apoio, bem como respeitamos nossas instâncias 
partidárias, e a liderança de nossa bancada na pessoa de Henrique Eduardo 
Alves. 

A motivação que nos une, como parlamentares do PMDB, é reafirmar nossa 
identidade histórica de partido, sintonizada com a democracia 
representativa. Nossa determinação é resgatar uma atuação política 
programática, baseada nos valores que nos levaram a fazer a escolha pela 
vida pública. 

Como corrente partidária, não queremos a velha prática dos cargos pelos 
cargos, do poder pelo poder, com todas as deformações dela decorrentes. 
Nossa corrente pleiteia prioritariamente reformas profundas do Estado e 
políticas públicas que avancem na qualidade de vida da nossa gente, que 
signifiquem não só a erradicação da miséria, mas também a erradicação de 
todas as formas de pobreza e de exclusão no nosso país. 

Estes são os pontos que nortearão nossa ação parlamentar: 

1. Reforma Política como prioridade para a atual legislatura. 

2. Regulamentação da Emenda 29 para ampliar os recursos da saúde pública, 
sem aumentar a elevada carga tributária do país. 

3. Apoio a todas as iniciativas que melhorem a qualidade do gasto público e 
permitam o aumento da capacidade de investimento do Estado. O inchaço da 
máquina pública não é a solução para o nosso desenvolvimento. Vamos 
estimular as parcerias público-privadas para crescer mais rápido. Como a 
vida já demonstrou, nem tudo que é estatal é público e nem tudo que tem 
função pública precisa ser estatal. Queremos a profissionalização e a 
valorização do modelo das agências reguladoras, hoje demasiadamente 
politizadas. 

4. Formulação de uma legislação de responsabilidade educacional que promova 
um novo paradigma, com mais investimentos, fazendo com que o país avance 
mais rapidamente em direção à qualidade da escola pública. 

5. Defesa da modernização da legislação do trabalho, com a redução da carga 
de tributos e encargos sobre o emprego, para promover o aumento da 
formalização da mão de obra no país. 

6. Apoio a uma Reforma Tributária que simplifique o sistema, corrija as 
distorções e permita a gradual diminuição da carga de impostos sobre a 
sociedade brasileira. Entendemos que essa reforma deve vir acompanhada, 
obrigatoriamente, de um novo pacto federativo, onde os municípios tenham 
duplicada sua participação no bolo tributário nacional. A reforma deve 
preservar as fontes contributivas que financiam a rede de proteção social. 

7. Alinhamento com todas as iniciativas de sustentabilidade, que contemplem 
a proteção e a conservação do exuberante patrimônio ambiental do país. 

8. Apoio a uma política nacional de segurança pública que busque um 
aprimoramento da legislação, estabeleça um efetivo programa de ações e 
articule os entes federados e todas as instituições envolvidas com o tema. 
Formulação de uma política nacional, integrada, de enfrentamento das drogas 
que são a principal causa da violência, hoje, no país. 

9. Estímulo ao debate responsável sobre a reforma da Previdência Social, 
para que o país não negligencie o tema, nem perca a oportunidade histórica 
do bônus demográfico atual. 

10. Ação legislativa para ampliar os instrumentos de combate à corrupção e 
aumentar a transparência das atividades do Estado brasileiro. Para isso, 
também, é fundamental uma imprensa livre e o estímulo a uma sociedade cada 
vez mais em rede, com acesso garantido pelo Estado. 

11. Políticas públicas integradas de atenção a cada fase do ciclo vital. Em 
especial, políticas que priorizem os cuidados nos primeiros anos de vida e 
na terceira idade. 

12. Apoiar fortemente o nosso agricultor, garantindo a rentabilidade do 
agronegócio e a sua permanência no campo. 

13. Estimular o fortalecimento da Política de Ciência, Tecnologia e 
Inovação, como fator privilegiado de competitividade e sustentabilidade do 
nosso desenvolvimento, aprofundando a legislação de incentivo à inovação nas 
empresas, em cooperação com Instituições de Ciência e Tecnologia, bem como 
as ações integradas do Estado para a consolidação da Infraestrutura e dos 
Recursos Humanos da área. 

14. É crucial melhorar a questão cambial, e a redução dos juros, de forma a 
permitir a retomada da exportação, em grande escala, de produtos 
manufaturados. 

15. Defender políticas de investimento que priorizem o desenvolvimento 
sustentável das regiões mais pobres do país, e das nossas fronteiras. 
Consideramos fundamental, para uma sociedade mais justa, a diminuição das 
desigualdades intra e inter-regionais no Brasil. 

Brasília, sala do Diretório Nacional do PMDB, em 8 de fevereiro de 2011.