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Fabio Trad questiona monopólio dos frigoríficos

24 maio 2012 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

O deputado federal Fabio Trad (PMDB – MS), os senadores Waldemir Moka (PMDB – MS) e Delcidio do Amaral (PT – MS), o deputado federal Geraldo Resende (PMDB – MS) e o presidente da Acrissul, Chico Maia, fizeram nesta manhã uma visita ao Ministério da Justiça, onde se reuniram com técnicos da Secretaria de Direito Econômico defendendo regras que coíbam o monopólio dos frigoríficos no estado.

Trata-se de uma reação ao manifesto divulgado pelos produtores rurais nesta semana, segundo o qual o setor usa recursos públicos para monopolizar o mercado de carnes no país. Em Campo Grande, reunião promovida pela Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), redigiu manifesto assinado por oito entidades do setor, no qual diz que o frigorífico JBS emprega recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), “para arrendar frigoríficos, que em seguida seriam fechados, causando desemprego, e para interferir no mercado regulando preços de compra desses insumos”. Havia 1.500 pecuaristas na reunião.

Segundo os representantes do setor rural, já foram identificados casos de demissões e fechamentos de frigoríficos em Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Acre, Mato Grosso do Sul e Pará. Maia prometeu fazer um levantamento completo dos dados e apresentar às autoridades para que sejam tomadas providências. O presidente da Acrissul, Chico Maia foi incisivo: “essas empresas têm plantas ociosas, trabalhando com 40% a 50% da sua capacidade e mesmo assim compram outros frigoríficos.” Diz ainda que a ação irá afetar o preço da carne no varejo, com aumento de preços ao consumidor. 

Para pontuar o que o setor pretende fazer, a carta fixa as principais diretrizes para frear a liberação de recursos públicos, através do BNDES, para capitalizar grupos frigoríficos “viabilizando seu crescimento e forte inserção em mercados estrangeiros”. Leia: “A concentração, alavancada com recursos públicos, afeta a rentabilidade do negócio pecuário e, consequentemente, dificulta a sustentabilidade do setor, baseada no tripé: ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável”.

A chamada Carta de Campo Grande foi entregue à Frente Parlamentar da Agropecuária da Câmara Federal e do Senado para que o assunto seja levado ao governo federal. O senador Waldemir Moka disse que uma audiência pública está sendo preparada pelas comissões econômica e da agricultura das duas casas (Senado e Câmara Federal) com a presença dos grandes frigoríficos, como o JBS e o Marfrig, o CADE, o BNDES, e outros, para discutir a "liberação de recursos públicos para grandes empresas, que muitas vezes compram as unidades e as mantêm fechadas."