Voltar para notícias

No Congresso, Fabio Trad defende que protestos são ‘instrumentos democráticos’

19 jun 2013 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

O deputado federal Fabio Trad (PMDB-MS) ocupou ontem (18) a tribuna do Congresso Nacional para manifestar-se sobre a onda de protestos que tiveram início em São Paulo, e acabou se estendendo por vários estados brasileiros. O parlamentar sul-mato-grossense diz que é favorável a qualquer tipo de manifestação em que se cobrem os direitos do coletivo, mas externou sua preocupação com o fato de que alguns segmentos sectários, descomprometidos com o desenvolvimento, acabam partindo para a violência e degenerando o objetivo do movimento.  “Este tipo de ação popular a qual o país enfrenta é necessária e desejável, na medida em que compõem as liberdades públicas que compõem a democracia”, ressaltou.

 

Em seu discurso, o deputado ressaltou que depois de mais de vinte anos, desde a benfazeja estridência dos “caras pintadas”, “a voz trovejante das ruas enfim retumba nos gabinetes assépticos e climatizados do poder, e ressoa na consciência das elites políticas, surpreendidas pelas trombetas de uma nova era, este tempo em que as mídias sociais devassam limites de tempo e de espaço”.

 

Sobretudo, Fabio Trad defende que os protestos são “instrumentos democráticos de manifestação” e, por isso mesmo, só se legitimam como expressão de frustrações e de anseios sociais quando respeitam os limites da legalidade que, em última instância, asseguram as liberdades públicas e os direitos individuais.

 

“Neste sentido, os protestos que tomam as ruas de metrópoles brasileiras, e assinalam disseminar-se com o “contágio” dos fluxos contínuos das redes sociais, devem precaver-se tanto contra os males oportunistas de um certo radicalismo sempre latente, quanto contra a inconsequência das turbas incendiárias”, disse o parlamentar, acrescentando que, “igualmente, os governantes e lideranças políticas devem reduzir o ímpeto repressor movido por legalismo autoritário, substituindo-o pela busca de uma decodificação social do fenômeno de mobilização “voluntária” das massas, e articulando com elas um diálogo possível. Como, aliás, acaba de fazer o governo do Estado de São Paulo, com imediato reflexo na moderação verificada no protesto de segunda-feira na Capital paulista”.

 

Fabio Trad vai além. “Longe de “anárquicas”, como querem alguns, as mobilizações que nasceram de protestos contra o aumento da tarifa de um transporte sem qualidade, se transformaram, por uma espécie de fusão espontânea, em duto para onde convergem, nestes dias de instigantes incertezas, todas as frustrações, expectativas e desejos populares – inclusive o desejo de simplesmente protestar para se reafirmar como indivíduo livre. Diante do que, como já disse alguém, essas manifestações podem até não ter líderes, mas não lhes falta liderança capaz de mobilizar dezenas de milhares e de lhes dizer aonde ir. Uma contradição? Sim. Mas tão real quanto à voz tonitruante das ruas”, ponderou o deputado durante seu pronunciamento aos demais parlamentares na Câmara Federal.

 

Para finalizar, o deputado sul-mato-grossense afirmou que os protestos que tomam as ruas do Brasil somam o inconformismo de uma juventude que renega ser coadjuvante, que advoga, legitimamente, o protagonismo social que lhe é devido, mais os anseios de uma nova classe média que, recém saída de segmentos ‘c’ e ‘d’, demanda serviços públicos de qualidade, como resposta à condição, recém-conquistada, de cidadão contribuinte.

 

“Primeira manifestação popular de escala nacional articulada através redes sociais, os protestos, que mobilizam metrópoles, e até cidades médias brasileiras, não podem ser vistos com as lentes opacas de um oficialismo provecto ou de uma institucionalidade formalista, que já não dá conta de demandas de uma sociedade em feérica transformação”, justificou Fabio Trad.