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Nova presidente da UNE corrobora críticas de Fabio Trad a falta de fiscalização na educação

03 jun 2013 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

A presidente eleita da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virgínia Barros, 27, classificou o governo Dilma Rousseff como "inconsequente e omisso" na fiscalização da qualidade do ensino superior privado.

 

"A entrada de capital estrangeiro é preocupante, e não há regulação sobre padrões mínimos de qualidade nas faculdades privadas", diz a aluna de letras da USP, eleita para o biênio 2013-2015 em eleição realizada ontem em Goiânia (GO).

 

A preocupação da nova presidente da UNE vai ao encontro da proposta do deputado federal Fabio Trad (PMDB-MS) da criação de uma Agência Reguladora do Ensino Privado.

 

"Quando um setor estratégico e essencial, como o do ensino privado, gera cifras na casa dos R$ 2,4 bilhões, que foi a soma das 27 negociações de universidades particulares em 2011, mais do que nunca o Estado tem de se munir de instrumentos institucionais e de competências técnicas, para assegurar o interesse público. Não só acima dos interesses privados, mas, em muitos casos, além dos interesses circunstanciais de governos", afirmou o deputado sul-mato-grossense.

 

Os brasileiros devem gastar, em 2013, astronômicos 75 bilhões de reais com educação, valor 5,6% maior que o estimado para 2012, segundo o instituto Data Popular. Do total, R$ 60,5 bilhões, ou 81%, correspondem a matrículas e mensalidades, e o restante a gastos com material escolar. Trata-se de um prato saboroso para os grandes grupos, inclusive de fundos de investimento de escala global, que adquirem universidades inteiras, de “porteira fechada”, como se dizia antigamente em relação a fazendas de gado. Contados por cabeça, como os bois adquiridos com a fazenda, os alunos são “mercadoria” mais valiosa do que as estruturas físicas, os laboratórios ou os métodos de ensino.

 

"Esse vazio regulatório se torna ainda mais incômodo diante destes números, que confirmam a educação privada no Brasil como um segmento empresarial de proporções gigantescas, como um negócio altamente rentável. Alavancado, sustentado e promovido, em grande parte, pelo Estado brasileiro, pelo governo, cresce a índices impressionantes", afirma Fabio Trad.

 

Para o deputado sul-mato-grossense, somente um instrumento de controle democrático e plural, que associe políticas de Estado, autonomia da sociedade civil e práticas eficazes de governança na construção de uma Agência Reguladora do Ensino Particular, será capaz de dar conta da tarefa de fiscalizar esse setor gigantesco.

 

“Entendendo ser esse o único instrumento com autonomia institucional para estabelecer marcos regulatórios consistentes para o negócio da educação particular. Que, sob todos os argumentos, constitui-se o bem público de maior valor para a nação”, afirmou Trad.