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“País é País, empresa é empresa”, diz Fabio Trad sobre imposições da Fifa

13 out 2011 | Notícia | Escrito por: Redação | Compartilhe

O deputado federal Fabio Trad (PMDB – MS) fez nesta semana um contundente pronunciamento criticando a dinâmica que move a relação da Fifa com o Brasil, tendo em vista os preparativos para a Copa do Mundo de 2014.

O deputado citou reportagem do jornal Correio Braziliense, intitulada “Governo Vai Rever Leis Para Acatar Ordens Da Fifa Sobre Copa De 2014”, e afirmou ser absurdo que um país deve, em nome do futebol, driblar a própria Constituição Federal e negar as suas Leis, expressão maior de sua soberania, para condicionar o melhor ambiente possível para a realização de um evento esportivo patrocinado por instituição privada.

“O Estatuto do Idoso, do Torcedor, o Código de Defesa do Consumidor, o recém-criado Estatuto da Juventude são Leis e como Leis devem valer com os seus atributos de bilateralidade, abstratividade, generalidade, coercibilidade e imperatividade, de forma que se para a FIFA é um estorvo mercantil que deve ter, em nome dos interesses de sua estratégia empresarial, cabe ao Governo Federal reafirmar a nossa dignidade enquanto país no sentido de manter intacta a nossa estrutura normativa, jamais permitindo comercializar a dimensão ética imanente à soberania nacional em benefício de quem, visando lucros, dizem não aos consumidores, não aos idosos, não aos jovens, não aos estudantes e sim às bebidas alcoólicas e aos lucros exorbitantes”, afirmou o deputado sul-mato-grossense.

Fabio Trad deixou claro que, sob seu ponto de vista a Copa do Mundo é bem-vinda. Mas alertou que se o Brasil foi o escolhido para sediá-la, só o foi porque cumpriu rigorosamente todos os requisitos exigidos pela FIFA. “Exigir agora, em nome de interesses comerciais, depois de tanto esforço e de tanta luta, que além de todos aqueles requisitos, nós, brasileiros, também devamos transigir com as próprias leis, como se elas fossem bissextas e valessem para todos, menos para uma só, equivale a nos reduzir a uma espécie de aldeia provinciana sem voz e vontade, que dependendo do tamanho do negociador e da altura de sua voz, o seu governo não chega a ouvir o primeiro argumento para sucumbir, passivo, ao poder da força e a força do poder de quem bate na mesa e impõe suas vontades em nome do lucro. Não é este o posicionamento que se espera de um Governo liderado por uma Mulher que colocou em risco a própria vida em defesa da liberdade e da justiça”.

Segundo Fabio Trad, o fato de a Copa ser desejável ao país não pode se sobrepor ao fato de que o País tem princípios e valores e que estes não se vendem, não se trocam, não se mercadejam, porque fundantes da história nacional, que nasceu bem antes da FIFA e não findará com o apito da final de qualquer campeonato.

“Que o governo tenha força para resistir aos encantos da empresa, porque PAÍS é PAÍS, empresa é empresa”, concluiu Fabio Trad.